Blog do Lipe

17/04/2011

Felicidade?

Mais uma vez a natureza vem me consolar, passa da meia noite e o céu parece ainda azul e muito estrelado. Há um tempo atrás eu disse que ia voltar a escrever, mais a “felicidade” é egoísta demais para permitir dividir seu tempo com qualquer outra distração.  Distração? Seria isso a felicidade? Uma distração? Seria a felicidade estar e não ser? Nessas horas eu queria que nós pudéssemos ter o to be.

 

Para não fugir o padrão, fui buscar no dicionário e: distração – falta de atenção, inadvertência, abstração, irreflexão, palavra ou ato irrefletido, recreação, divertimento. Analisando, sabe até que eu concordo. Um sentimento pode ser algo muito inexplicável. A felicidade não pode ser algo tão vago assim, seria hipocrisia. Comumente a felicidade tem nome, sobrenome, causa, motivo, razão e circunstância. Sem isso a felicidade torna-se apenas uma distração a qual se aplica quaisquer dos significados já mencionados.

 

Para tentar ser claro vou resumir à felicidade duas classificações: a real e a por distração. É completamente diferente estar feliz por ganhar muito bem e não ter com o que se preocupar ou só porque esqueceu momentaneamente as contas no fundo da caixa de correio. Embora as situações possam ser utópicas, obviamente a primeira está muito mais próxima de ser uma felicidade real e a segunda, por distração. Fato que ter todo o dinheiro do mundo certamente não o livra de toda e qualquer preocupação e também é fato que em alguma hora você vai abrir a caixa de correio, ainda que seja só quando ela transbordar.

 

Isso me leva a concluir que toda felicidade é inconstante, seja ela sólida ou abstrata. Mas o que busco não é a semelhança entre ambas, esta não importa. É importante saber a diferença. Fazendo um parabolismo, se a felicidade fosse um sonho, uma hora iríamos acordar, a diferença é que (ironicamente) sendo real, a gente volta a dormir e se for apenas uma distração, acordamos e, com certeza, a realidade do mundo irá nos tirar o sono.

 

Não seja feliz por acaso, crie motivos para sua felicidade. Do contrário, uma hora você acorda, e isso pode doer.



 Escrito por Lipe Lima às 19h31 [] [envie esta mensagem]


25/03/2010



 Escrito por Lipe Lima às 00h04 [] [envie esta mensagem]


12/11/2009

Sobre Sorrisos Bobos

Nenhum sorriso bobo mais me agrada do que aqueles que vêem dos apaixonados. Existem vários tipos de sorrisos bobos, porém nenhum mais puro e simples e verdadeiro do que os provindos dos novos amantes.

 

Poderia discorrer sobre vários tipos de sorrisos bobos, creio que as variações seriam inesgotáveis, entretanto me reservo ao direito de restringir-me ao tipo acima já citado.

 

O primeiro sorriso bobo pode acontecer quando olhamos a pessoa pela qual iremos nos apaixonar, não tem um motivo aparente. É como se fosse um sinal do destino, ele normalmente não falha, principalmente se sua resposta for um outro sorriso bobo.

 

Existem vários outros tipos de sorrisos, os cínicos, os dissimulados, os safados, os amarelos, mas de todos eles nenhum é melhor que o sorriso bobo, afinal é dele que podem ser derivados todos os outros, é como se ele fosse a introdução da história, não, mais; ele seria o prólogo.

 

Nessa conversa de sorrisos vão sendo acrescentadas as palavras e mesmo que todas elas nunca tivessem sido combinadas daquela forma anteriormente, ou ainda, que elas tivessem acabado de ser inventadas, nada escaparia ao fato delas parecerem clichês. E ainda que fosse, cada frase não deixaria de provocar uma felicidade, um segundo a mais de vida, um sorriso bobo.

 

Que a sinceridade de cada palavra, de cada momento, se renove a cada dia e que nós possamos chegar até o fim com os rostos estampados por sorrisos bobos.

 

SoundTrack: Smoke Gets in Your Eyes - Cher



 Escrito por Lipe Lima às 22h22 [] [envie esta mensagem]


11/06/2009

Esse Tempo (quase) Todo – Declarações (Parte 2)

Seguindo na história do quase, tudo começou pela frase seguinte frase:

 

“Eu fiquei sozinho esse tempo todo.”

 

Isto posto, não se seguiu nenhuma gargalhada, embora pudesse, mas daí então entrou o “quase”, então ficamos com:

 

“Nesse tempo (quase) todo eu fiquei sozinho.”

 

Mas não só isso, nesse tempo (quase) todo, a única coisa que não era quase eram os fatos:

 

“Nesse tempo (quase) todo eu sai,

Nesse tempo (quase) todo eu me diverti,

Nesse tempo eu (quase) acreditei que pudesse ficar longe de você,

E foi (quase) verdade. (quase!)

 

Nesse tempo (quase) todo eu procurei

Nesse tempo (quase) todo lutei,

Nesse tempo eu (quase) via a felicidade em coisas que não eram você,

E eu fui (quase) feliz.

 

Depois desse tempo (quase) todo sobrou uma paixão,

Depois desse tempo (quase) todo sobrou uma confusão,

Depois desse tempo eu (quase) deixei acabar o espaço que era seu,

Eu estava (quase) apaixonado.

 

Depois desse tempo todo (quase) acabou,

Depois desse tempo todo (quase) desencantou,

Depois desse tempo todo eu (quase) amei outro alguém,

Eu (quase) me permiti.”

 

Se nós tirarmos o “quase” entre parênteses nas quatro estrofes acima mudamos completamente o sentido do texto. Vejamos: 

 

“Nesse tempo todo eu sai,

Nesse tempo todo eu me diverti,

Nesse tempo eu acreditei que pudesse ficar longe de você,

E foi verdade.

 

Nesse tempo todo eu procurei

Nesse tempo todo lutei,

Nesse tempo eu via a felicidade em coisas que não eram você,

E eu fui feliz.

 

Depois desse tempo todo sobrou uma paixão,

Depois desse tempo todo sobrou uma confusão,

Depois desse tempo eu deixei acabar o espaço que era seu,

Eu estava apaixonado.

 

Depois desse tempo todo acabou,

Depois desse tempo todo desencantou,

Depois desse tempo todo eu amei outro alguém,

Eu me permiti.”

 

Mais uma vez é como se o “quase” fizesse a distinção entre a razão e a emoção.

Como ninguém declara um não amor, fica fácil deduzir que para o autor o texto real é o da primeira possibilidade. Tal afirmativa se consolida como verdadeira também devido ao título “Declarações” referente a esta segunda parte do texto. Há de se convir que ao lermos “declarações” fica subentendida a complementação “de amor”, embora exista a dualidade de interpretação, porém pouco provável, imposta no plural aplicado.

Em cada uma das possibilidades a situação de quem escreve é absolutamente oposta a outra e é curioso como o emprego exaustivo da palavra “quase” pode mudar completamente esses significados.

Como não amamos pela razão, podemos concluir que a segunda declaração embutida no título é a da mentira descrita no segundo conjunto de estrofes, onde não encontramos a melancolia descrita do primeiro conjunto. Acreditamos que assim como não amamos pela razão, também por ela não sofremos. Logo, reitera-se: o primeiro texto representa o sentimento verdadeiro, o amor que ainda existe e mostra-se determinante para que a felicidade também exista, ou seja, representa a emoção; e o segundo representa uma falsa ausência de sentimento, que de tão importante ofusca o suposto amor que só é revelado no penúltimo verso “depois desse tempo todo eu amei outro alguém”, ou seja, representa a razão.

Mais do que buscar a correta atribuição de valores a cada uma das variáveis o que ainda podemos extrair do texto é que mesmo sendo fato ele estar escrito no pretérito perfeito o “quase” vive automaticamente na nossa interpretação a idéia de presente, onde o autor “não pode ficar longe”, “não vê a felicidade em outras coisas”, “não deixa acabar o espaço” e “não ama outro alguém” (primeiro conjunto de estrofes); no segundo conjunto de estrofes com a ausência da palavra “quase”cada verso continua no passado, onde o autor “acreditou que podia ficar longe”, “viu a felicidade em outras coisas”, “deixou acabar o espaço” e “amou outro alguém”.

Como última consideração sobre os textos pode-se destacar que embora a melancolia esteja presente no primeiro conjunto de estrofes ele é menos denso que o segundo, onde o autor consegue superar seu grande amor fracassado com um outro amor, amor esse que também fracassou não deixando margem para que exista a esperança presente no primeiro.

Mais do que conclusões lingüísticas podemos extrair do texto que por mais que se busque discernir entre o caminho da emoção ou o da razão a razão sempre vai estar presente na emoção e a emoção sempre vai estar presente na razão e muitas vezes essa presença poderá estar de forma tão marcante que se quer poderemos saber sobre qual caminho, predominantemente, estaremos andando.



 Escrito por Lipe Lima às 07h14 [] [envie esta mensagem]


03/06/2009

Esse Tempo (quase) Todo / Fragmentos – Parte 1

 

            Buscar uma explicação para a palavra quase parece algo quase estúpido. É que o quase pode ser muita coisa, pode ser quase tudo, quase nada, ou quase médio, que é o Quase, o próprio. Quase, segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa - O Globo é: proximadamente; perto de; cerca de; com pequena diferença; pouco mais ou menos; por um pouco; por um triz. O quase não é nada disso, ou é quase tudo isso e muito mais, não muito mais coisas, porém mais uma coisa que é muito mais que tudo isso.

            O Quase é um limite, um fio, é a linha que divide o bem e o mal, o amor e o ódio. O Quase é a pequena diferença que nos faz estar feliz ou triste, vivos ou mortos. A dramatização parece exagerada, será? “O médico quase salvou sua vida”, “Ele quase morreu no acidente”. Parece irônico como em cada frase onde há referência à vida a história termina em morte, e ao contrário, onde há referência a morte a história acaba em vida.

            A gente passa o tempo todo tentando fazer coisas que são justamente o contrário do que deveríamos fazer. E no meio desse “tempo todo” tem o “quase” que representa temporalmente nossas falhas, é quando cruzamos a linha e como é óbvio passamos para o outro lado. É como se estivéssemos agindo pela razão e passássemos a emoção, como que por acidente, vamos por assim dizer, ou o contrário, que é pouco provável. Ainda que seja realmente o contrário ao menos não é de todo o mal, pois desta forma estaríamos, exemplificando, “dando nossa cara a tapa” por escolha. Mais ou menos como se falássemos “seja o que Deus quiser” e nos jogássemos destino a fora.

            Será que um dia a razão vai nos deixar jogar? Será que a emoção criará coragem tamanha para permitir tal feito? E o principal: será que a sucessão dos acontecimentos nos dará a oportunidade de libertação ou ficaremos escravos desse corretismo imperativo que vem de dentro?

 

Felipe Lima.

 

Rio de Janeiro, 3.junho.2009

 

 

SoundTrack: As Canções que Você fez p’ra Mim – Sandy

(composição: Roberto Carlos)

 



 Escrito por Lipe Lima às 23h17 [] [envie esta mensagem]



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